Ciências na educação infantil: Realidade e possibilidades

Jefferson Rosa de Menezes, Pamela Billig Mello Carpes, Rithiele Gonçalves

Resumo


As crianças até pouco tempo atrás não frequentavam a escola antes dos seis anos de vida. Atualmente, o que se vê é bem diferente, há um consenso que o quanto antes a criança entrar para escola, melhor e mais rápido será seu desenvolvimento neuropsicomotor. Faz-se necessário ressaltar, também, a importância do ensino de ciências desde essa idade, para que o indivíduo obtenha, desde cedo, a consciência sobre o meio que o cerca. Assim, esse estudo tem por objetivo conhecer as práticas relacionadas ao ensino de Ciências na Educação Infantil e refletir sobre as possibilidades de trabalho com Ciências que temos para esta fase escolar. A fim de fazer um diagnóstico inicial no município de Uruguaiana/RS, buscamos os professores de Educação Infantil da rede pública municipal de Educação Básica. 46 professores de Educação Infantil foram convidados a responder um questionário e cinco destes professores foram selecionados para uma entrevista em profundidade a partir de um roteiro previamente estruturado, elaborado com questões abertas. As questões abordavam o ensino de ciências de um modo geral, a relevância que os professores atribuíam a ciências, o trabalho atualmente realizado em suas aulas nesta área, as metodologias empregadas em sua prática docente, o papel do professor em relação em ensino de ciências, dentre outros aspectos. As entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas para análise. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNIPAMPA (protocolo 74915/2012). Os resultados coletados nos permitem dizer que mais de 90% dos professores afirmam fazer trabalhos com conteúdos relacionados às ciências semanalmente ou diariamente. Embora tenham relatado uma alta frequência de conteúdos de ciências em suas aulas, um aspecto que nos chamou a atenção é que as aulas de ciências nesta fase estão focadas quase que exclusivamente para o meio ambiente (ciências naturais), desvalorizando assim outros aspectos (ciências humanas, ciências sociais) e pouco explorando pesquisas, vivências e experimentações em sala de aula. Sabendo que o ensino de ciências deve envolver práticas nas quais o professor deve ser mediador da atividade, de forma que as crianças possam construir o aprendizado e atuar nesse processo, podemos notar que poucos professores estão preparados para o ensino desse componente na Educação Infantil. Esta realidade aponta para a necessidade de cursos de formação continuada na área de ensino de Ciências também para professores deste nível, buscando um melhor aproveitamento das aulas. Existem metodologias variadas para ensinar ciências e, especialmente nesta fase, elas são fundamentais para despertar o interesse do aluno por este componente curricular e, mais do que isso, promover a curiosidade e a busca por respostas, aspecto tão importante para a aprendizagem significativa, o que, neste caso, pode ser feito através de experimentos em sala de aula, no pátio da escola ou mesmo nos laboratórios de ciências.

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