Ciclo do desenvolvimento pós-embrionário de Ascia monuste (Linnaeus)(Lepidoptera, Pieridae)

Mariana Fonseca Costa, Vanessa Santos Salvadé, Rubem Samuel De Avila Jr

Resumo


Indivíduos adultos de Ascia monuste Linnaeus, 1764 (Lepidoptera, Pieridae) são comumente vistas em jardins e plantações, bem como suas lagartas. Geograficamente relacionadas às Américas, os adultos se alimentam de néctar de flores diversas e suas lagartas alimentam-se de folhas de diversas espécies de Brassicaceae, tais como o agrião (Lepidium ruderale L.), brócolis (Brassica oleracea L.), mostarda (Sinapis arvensis L.), nabiça (Raphanus raphanistrum L.) e couve (Brassica oleracea L.). Assim, sua ocorrência é frequente em lavouras e suas lagartas mostram elevada voracidade, provocando intensa desfolha nas plantas e prejuízos financeiros, por esse motivo em muitas regiões é considerada praga. Desta forma, o entendimento da biologia do organismo em questão é fundamental para a determinação de práticas adequadas em ações de manejo desta potencial praga agrícola. Comumente associada à característica urticante pela presença de cerdas, estas não possuem substâncias tóxicas ou urticantes, podendo assim ser manipulada manualmente com tranqüilidade. A lagarta apresenta coloração amarelada nos três primeiros instares e cinza esverdeada nos últimos, com a cabeça de cor amarela em tom escuro. O adulto possui asas de coloração branca amarelada, com bordas em marrom escuro na parte dorsal e marrom claro na parte ventral. Os sexos diferenciam-se por a fêmea apresentar uma pequena mancha no primeiro par de asas, e ter coloração na borda das asas mais intensa que o macho. Esta espécie é uma das principais polinizadoras das culturas onde deposita seus ovos. Este trabalho teve por objetivo acompanhar e descrever o ciclo de desenvolvimento pós-embrionário desta espécie até a metamorfose completa. Foram coletados 20 ovos em uma plantação de B. oleraceae e armazenados em um aquário coberto com tela na parte superior e deixado em um ambiente protegido, mas arejado e ao alcance da luz solar. Após a eclosão dos ovos, as lagartas foram diariamente alimentadas com couve, sendo observado o intervalo de tempo em cada mudança de ínstar, até a fase de crisálida. A duração da fase larval foi de 15 dias, passando por 5 ínstares e possuindo de 30 a 35 mm de comprimento quando já completamente desenvolvidas. As crisálidas formaram-se em ramos vegetativos existentes no interior do aquário, onde ficavam protegidas da luz solar, tendo como duração média 7,2 dias. Embora comum, não houve registro de parasitismo nas lagartas ou nas crisálidas, concluindo o ciclo de desenvolvimento com 100% de viabilidade. Após o surgimento dos adultos, estes foram libertados no ambiente em que os ovos foram coletados, sendo estes 12 fêmeas e 8 machos, com comprimento médio de 50 mm de envergadura. Ao todo, o desenvolvimento pós-embrionário deu-se em aproximadamente 22,2 dias. Em relação a outros trabalhos relacionados ao ciclo de desenvolvimento desta espécie, os dados obtidos neste assemelham-se, exceto a viabilidade, pois neste todos os indivíduos alcançaram a fase adulta.

Palavras-chave


borboletas; lepidoptera; ciclo; metamorfose

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